Puerpério, Textos Gravidicas

Desabafos sobre o puerpério…

Ah o puerpério…
Luísa tinha uns 10 dias de vida quando, no meio do banho, deixei as lágrimas caírem sem dó.
A água escorria pela nuca tensa, e ao tocar os meus peito rachados por conta da amamentação, eu me perguntava quando meu corpo voltaria a ser meu… Sentia que não tinha o controle de nada.
Se até a água, que é capaz de aliviar dores imensas, havia se tornado minha inimiga, quando eu voltaria a ficar de bem comigo?

Não tinha nada a ver com peso, com as sobras de pele que ficaram na barriga, e nem com o cabelo que agora ficava sempre preso…
Era algo mais intenso. Eu me quis de volta.
A mulher que entrava no banho com calma e que tinha tempo para fazer um tratamento capilar enquanto tocava sua playlist favorita no spotify.
Onde ela estava? Quando voltaria?
.
Uma parte de mim não admitia aquela angústia.
Eu havia vivido a experiência que sempre sonhei… Tive o parto desejado… Tinha a filha saudável me esperando no quarto ao lado…
Mas era maior que eu.
Eu precisava chorar.
Entre soluços e pensamentos absurdos, ouvi um choro novo e a voz da minha primeira filha me chamar…
O peito que latejava de dor, passou a escorrer leite… O coração que batia acelerado, deu um breve suspiro de paz… Então eu entendi que eu nunca mais teria meu corpo de volta, porque a experiência da maternidade me fez grande demais para caber em espaços antigos.
Para mudar, era preciso doer… O engrandecimento exige uma armadura maior.
Era preciso abandonar o que existia ali, para entrar no novo.
As mudanças poderiam fazer calos, derramar lágrimas e apertar um pouco, para então ceder de vez.

Enxuguei o corpo com delicadeza, pois saber que aquilo passaria, não me isentava da dor do momento… Então deixei que as lágrimas terminassem de rasgar o que internamente me sufocava.

O que era grande agora cresce o dobro…
Por isso meu corpo jamais será o mesmo… E muito menos o meu coração.

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