Dia da Mulher – A realidade sem cortes

Hoje não é o Dia Internacional da Mulher, mas é mais um dia em que eu merecia um prêmio por ser uma!

Acordei às 5:50 pensando em um texto para amanhã.
Passei a manhã toda tentando bolar algo… Entre me vestir, dar banho na Isabelle, preparar café da manhã para a família, trocar a água e repor a ração da cachorra, levar o marido até o trabalho e pegar um trânsito infernal até a escola da filha, escrevi várias frases mentalmente.
E quando eu finalmente comecei a bolar algo bacana, vejo uma jorrada de vômito em minha direção.
Minha mente deu tela azul.
Só conseguia pensar no que eu iria pegar para que o estrago não fosse ainda maior (cheiro de vômito no carro não sai nem com água benta). Tirei o cinto na velocidade da luz, coloquei um travesseiro na frente da baixinha e segurei seu cabelo enquanto me contorcia no melhor estilo Dayane dos Santos.
Desci do carro, peguei no colo fazendo malabarismo pra não encostar naquele café da manhã azedo, e fui até a escolinha para lavá-la.

Entre choros e babas, ouvi uma voz baixinha dizendo que tudo o que queria era poder ficar comigo.
Engoli minha dor, e enquanto quase explodia por dentro, coloquei a roupa suja numa sacola, vesti as peças limpas e a acompanhei até a sala de aula.

Eu sei, mais do que qualquer pessoa, que aquele caos havia acontecido por um único motivo: Ela só queria ficar comigo. E a ideia de que não poderia a deixou tão nervosa, que passou mal. (sim, isso já aconteceu antes).

No que virei as costas, meus olhos viraram em lágrimas.
Entrei no carro, limpei o que deu para limpar e segui meu caminho.
Cheguei com a cara inchada, e sem nem ter checado se estava suja…
Não era nem 9h da manhã e eu estava lavando uma roupa vomitada na pia do banheiro do trabalho.

Eu esqueci completamente o que eu ia escrever sobre o dia da mulher. Mas posso dizer que a minha manhã foi bem típica do que é, de fato, a vida de uma:
Ser a primeira a acordar, pensar em cada detalhe de um dia inteiro, conseguir remanejar o que não encaixa, sair (quase) ilesa dos imprevistos, explodir de amor, chorar por amor… Tentar encontrar a melhor forma de fazer tudo, e se dedicar de corpo e alma quando se acha.

Ser mulher é ser segundo plano, porque o resto do mundo precisa de nós primeiro. E ainda assim, conseguir se olhar no espelho e se amar loucamente por causa de um batom novo.

Ser mulher é limpar o rímel borrado de choro sem precisar de lencinho entregue por outro alguém. É sorrir 10 minutos depois porque conseguiu resgatar na memória algo de bom que aconteceu outra hora… É viver com intensidade e com paixão. É saber mesmo o que significa “amar tanto que até doí”.

Ser mulher é conseguir ser inteira quando o mundo todo luta para te despedaçar…

E o que para os outros é uma fragilidade, para nós é a certeza de que no fim das contas somos a base de tudo…
Mesmo cheirando a vômito de criança em plena terça-feira de manhã.

7 Replies to “Dia da Mulher – A realidade sem cortes

  1. Ste, você é simplesmente demais. Uma mulher muito forte, determinada, e uma mãe sem igual.
    Realmente, eu não sei se saberia passar por tudo isso com sorriso no rosto como você ainda faz.
    Você é um grande exemplo de mulher, mãe batalhadora.
    Deus abençoe sempre você e a Bellinha.

  2. Que coisa mais linda e real esse texto! Chorei no finalzinho, pois mesmo não sendo mãe, tenho os mesmos sentimentos. Não adianta, a mulher é muito diferente do homem, muito mais intensa e sensível. Não sensível no sentido de que se machuca com tudo, mas no sentido de que SENTE tudo mesmo! Apesar disso tudo, amo ser mulher!

  3. Quando verdade Ste, Nada melhor para retratar as mulheres dos dia atuais. Mulheres multitarefas, mil e uma utilidades. Que ainda assim muitas vezes achamos que não somo boas suficientes e que poderíamos ser ou fazer melhor. Te entendo perfeitamente, mas é a vida!!! Os filhos crescem, e crescem MUITO RAPIDO. O que fica é a saudade, as lembranças e a sensação de dever cumprido. FELIZ DIA DA MULHER!!!!

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *