Dois anos de retorno ao trabalho

O facebook me lembrou hoje que ha dois anos atrás eu estava voltando a trabalhar, após um período de quatro meses e meio de licença maternidade e uns dias que me restavam de férias.
 
Isso fez com que viesse a tona o misto de sentimentos que vivi durante essa transição dolorosa.
Me lembro de ter chorado por horas, de ter entregue minha filha para minha sogra (que é o anjo que sempre esteve por trás dos apuros da vida), de entrar no carro e praticamente apagar.

Eu não sentia mais nada.
Era como se meu coração tivesse parado de bater ali, naquele minuto.

Embora estivesse tranquila em saber que minha bebezinha estava em boas mãos, o meu coração já não pulsava igual.
No fundo eu sabia que ela ficaria bem, que seria alimentada conforme as instruções e que teria alguém ali com ela durante as 9 horas que precisaria ficar fora.
Mas esse alguém não seria eu, e era impossível ficar em paz com isso.

Ela não chorou, mas eu desabei.
Pareceu que assim que virei as costas, toda a culpa e peso do mundo desabaram sobre os meus ombros.

Afinal, aquilo era mesmo necessário?
Valia a pena perder 9h por dia com minha filha por um emprego?
Demorei para avançar quando os sinais abriam porque não conseguia parar de pensar nisso. Minha cabeça estava jogando contra meu coração. E eu fiquei realmente abalada.
 
Mal cheguei no escritório e já liguei para minha sogra:
“Ela está bem? Chorou muito?”
“Está ótima. Não chorou nada”.
 
Meu mundo desabou de vez.
COMO ASSIM ELA NÃO PERCEBEU QUE EU NÃO ESTOU ALI?
 
Me deixei levar por um misto de alívio e egoísmo materno (que você também tem, pode admitir) e tentei me distrair.
Fui colocando o trabalho em dia, parava a cada uma hora para ligar de novo e esgotar o leite (porque sempre que pensava demais nela meu peito enchia – incrível como nosso corpo faz questão de nos lembrar do que somos capazes neh?!).
Foram umas 5 ligações até o horário do almoço e sem nenhuma devolutiva negativa: Ela ficou bem. Não chorou. Mamou bem. Brincou com a vovó e com o vovô. Enfim: Foi emocionalmente muito mais madura do que eu. rsrsrsrs

Aproveitei o tempo que tinha para almoçar e fui até a minha sogra para amamentá-la e dar aquele cheirinho básico que renova nossa existência.

Tive que dar tchau mais uma vez.
Chorei de novo. Acho que ela nem percebeu.

Durante a tarde pude respirar mais aliviada, afinal, ela estava bem, não era isso que importava?
Fiz uma lista dos prós e contras de voltar a trabalhar, e infelizmente os prós GRITAVAM. Eu precisaria me manter firme, então.
 
Muita coisa mudou desde esse primeiro dia de volta ao trabalho.
Continuei chorando por dias, e choro até hoje, quando o coração insiste apertar.
 
Eu troquei de emprego, troquei de carga horária. Por um tempo ela ficou com meu marido e agora voltou a ficar com a minha sogra.
Ontem foi dia de fazer a matrícula na escolinha. Mais uma etapa a ser enfrentada (Eu já estou sofrendo porque não serei eu que a levarei a buscarei no portão da escolinha).
 
Enfim, é uma fase atrás da outra que vem pra me mostrar que a gente tá aqui pra isso: Renunciar algo em troca de uma outra coisa possivelmente grandiosa.
 
Dois anos se passaram desde o primeiro dia que tive que abrir mão de 24h coladinha com minha filha. E mesmo passando por alguns momentos ruins e de questionamentos, hoje posso dizer que no meu balanço de prós e contras, os “contras” são cada dia menores.

Minha ausência diária é perdoada sempre que chego em casa e sento no chão para brincar com ela. Ou quando a pego na minha sogra e saímos para tomar um sorvete… Ou até mesmo no trajeto que fazemos para casa onde ficamos contando quantos caminhões passaram por nós.
 
Esses dois anos me ensinaram muito.
Aprendi a manter o equilíbrio, a respirar fundo e principalmente que qualidade É SIM muito melhor que quantidade. A gente faz das horas do dia o que quer que elas sejam. E o futuro depende disso.
 
(Uma observação: Quando uma mulher fica em casa, ela trabalha MUITO. É roupa pra lavar, casa pra limpar e tudo mais. Me lembro que enquanto fazia isso, mal aproveitava a presença da Bellinha. Torcia para que ela dormisse logo, assim poderia preparar o almoço. Quando acordava, ficava louca porque não tinha conseguido terminar de lavar o banheiro… E por aí vai. Depois que voltei a trabalhar, senti que meu coração passou a valorizar ainda mais as horas que passo com ela.
Por isso, o que quero passar é que: a gente deve aproveitar. Trabalhando fora, ou em casa, todo o tempo é sagrado. Dedique-se o quanto julgar necessário e tudo dará certo, sempre).


Entre trancos e barrancos nós sobrevivemos, e reaprendemos… 
O importante é não perder a leveza da alma! Nunca.

Dias após o retorno ao trabalho e dias antes de entrar em licença

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