Textos Gravidicas

Maternar é de humanas

O mundo não se importa, e talvez você nem tenha parado para calcular.

Mas você tem ideia de quantos sábados a noite você já ficou em casa, ao invés de conhecer um novo point da cidade (ou simplesmente deixou de ir visitar aquele barzinho que toca as músicas que você ama e frequentava há anos)?

Você se lembra de quantas vezes tirou da TV seu seriado ou o jornal diário, para assistir o mesmo desenho pela milésima vez?

Quantas refeições te fizeram salivar, mas só puderam ser degustadas tão frias que acabaram perdendo o encanto?

Talvez você não tenha parado para analisar… Mas quantas dores você já sentiu e simplesmente engoliu a seco porque não existiam remédios compatíveis com a gravidez ou com seu estado de lactante?

Ou quantos choros você calou enquanto sentia seu seio latejar durante a amamentação?

E até quantos dias de prisão de ventre você se obrigou a viver porque simplesmente não teve tempo de ir ao banheiro com calma?

Quantos banhos quentes nem chegaram a confortar seu corpo cansado, porque o chuveiro precisou ser desligado antes mesmo do shampoo ser enxaguado?

Quantas noites dormindo na cadeira de amamentação?

Quantas madrugadas passadas em pé, andando de um lado pro outro com um bebê choroso no colo?

Eu sei que você não contou.

E não porque estamos falando de altos números por tanta frequência.

Você simplesmente não contou porque ser mãe não é uma matéria de exatas.

O maternar é 100% de humanas.

Não é uma ciência perfeita onde 1 + 1 são dois.

Tem dias em que a soma simplesmente não bate.

Você acorda e dá o seu melhor.

E isso não significa que alcançará a perfeição ou que receberá toda a energia gasta de volta.

Você faz porque o amor é instintivo e o maternar é poesia.

E nunca existirão números ou estudos capazes de explicar essa experiência.

Então a gente vive um dia de cada vez, rabiscando nossos próprios versos dentro do livro que só nós somos capazes de acessar.

Para que no meio do caminho, em plena exaustão, a gente consiga reler os trechos que nos lembram que ser mãe não tem a ver com fazer contas…

É sobre escrever nossos próprios contos.

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