Minha mãe não é perfeita

Por muito tempo eu tenho pensado em escrever sobre isso.
Mas como tudo que fala da mãe da gente, mexe com nossos corações, eu preferi esperar o momento certo.

Eu vim pra falar sobre como foi ser filha, antes de qualquer coisa no mundo.

Minha mãe nunca foi perfeita.
Assim como meu pai.
Eles criaram uma filha imperfeita também.
Cresci pensando em tudo que achava errado e fui além: Cresci desejando não ser minha mãe.

Mesmo sendo adepta a frase clichê de “mamãe, quando crescer quero ser como você”, eu hoje falo aqui, que não, eu não desejo ser minha mãe.
Assim como eu sei, que minha mãe não teve a intenção de ser como a mãe dela, e por aí vai.
É muito fácil apontar defeitos, dizer o que foi bom e o que não foi, mas a certeza de que eu poderia ir muito além, surgiu junto com as duas listrinhas rosas do teste de gravidez.
Ali, naquele momento, eu decidi que eu finalmente teria a chance de ser diferente.

Se você está pensando que minha mãe era péssima e me criava em cativeiro, eis uma surpresa:
Minha mãe sempre foi tranquila (do jeitinho dela, mas foi).
E se tem uma coisa que minha mãe fez, foi trabalhar muito, pra nunca me faltar nada.
Eu estudei bem, nunca me faltou roupa, nem comida…

Aprendi a ser independente cedo porque vi meus pais trabalhando muito, e essa foi a minha maneira de tentar ajudar e dizer “ok, agora deixa comigo”.
Eu nunca precisei ajudar nas despesas de casa, mas fui ensinada a retirar os pratos da mesa, a organizar a casa e ajudar no que fosse preciso.

Aí você deve estar se questionando: Então como é que pode uma pessoa não querer ser como uma mãe dessas?

Bom, eu senti falta da minha mãe boa parte da minha vida.
Eu ia na casa das minhas amigas, e a família toda sentava junto para jantar.
Eu mal consigo lembrar quando vivi isso, porque meus pais trabalhavam até tarde da noite.
As minhas festas de aniversário tinham que ser sempre nas segundas, pois era o único dia de folga.
Se tinha alguma festa no final de semana, eu raramente poderia ir, pois precisava ajudar os meus pais.
E assim segue uma lista enorme de coisas que me fazem lembrar que nunca me faltou nada material, mas eu senti falta deles.

Eu amo minha mãe por tudo que ela fez por mim, mas eu aprendi o suficiente enquanto fui filha.
E a visão é outra: As mães tem uma percepção, os filhos tem outra. E é nessa diferença de visões que nos tornamos as mães que idealizamos ser.
Eu levo da minha mãe toda a parte boa: o esforço, o amor, o cuidado, o carinho…
Mas fica a minha ideia de aproveitar melhor o tempo, dividir melhor as tarefas, e ser mais flexível no que minha mãe não foi.

Eu não sou (nem de perto) uma mãe perfeita, mas todas as minhas decepções e mágoas que tive como filha, me tornaram uma mãe melhor.
Afinal, não é disso que a vida é feita? De evolução, de bons aproveitamentos, e de uma sequencia linda e crescente de que um dia o mundo será mais gostoso de viver? Tudo isso graças a nossa mãe, e graças a nós, novas mães.
Ah, e mãe, se você estiver lendo essa postagem, eu te amo, e essa é uma maneira toda minha de dizer que você não é uma mãe perfeita mesmo. Mas isso não te torna menos espetacular e admirável. De você, levo tudo o que é bom e aperfeiçoo o que sei que queria ter feito diferente.

A gente muda pra ser melhor, e que assim seja. Sempre.


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