Maternidade, Saúde e Alimentação

Não estimule a ansiedade do seu filho

As crianças não dormem como adultos até os 6 anos. Até essa idade, os despertares noturnos são normais. Não há nada de errado com uma criança que acorda à noite. O problema é seu, não do seu bebê.14

Você sabe que o seu filho está perfeitamente seguro no berço. Mas o seu filho não sabe que está a salvo. Para ele, a maior ameaça é não te ter por perto. Graças a este instinto (que está escrito no seu código genético desde que existe a espécie humana), é que conseguimos sobreviver. Imagina um bebê abandonado à sua sorte numa pradaria pré-histórica, presa fácil de qualquer predador. Sem o instinto de chorar ao sentir-se em perigo, e assim alertar a sua mãe, os seus minutos estariam contados. O seu bebê, no século XXI, partilha o mesmo código genético que o bebê pré-histórico. Para ele, a ameaça de estar às escuras, só num berço, continua a ser tão real como a do bebê exposto a ser devorado pelas feras.

Os bebês pedem o que precisam. Ele não está tentando te manipular, ou safar-se, é isso que os adultos fazem. A necessidade de contato para um bebê é tão importante e vital como a necessidade de alimento. Esperar que um bebê fique tranquilo no seu berço sem questionar porque ele não dorme a noite toda é um disparate.

Um bebê espera ser atendido quando chora. Se ninguém vier, compreenderá que nada pode fazer, que ele não é importante: que não é amado. E arrastará este condicionamento (e a consequente falta de auto-estima) até a vida adulta. Aprenderá que não vale a pena lutar, que a batalha está perdida de antemão. São muitos os adultos hoje em dia que veem a vida desta forma. E isto é trágico.

Uma criança é um ser humano e merece o mesmo respeito que um adulto. Isto inclui o respeito pelos seus próprios processos naturais.

Uma criança que sente medo e cujo choro não é atendido secreta adrenalina e outras substâncias que fazem com que todo o seu organismo seja ativado a um estado de alerta (tal como acontece com você em situações de perigo). Chega um momento em que a amígdala, uma parte do cérebro emocional, começa a secretar novas substâncias (endorfinas, serotonina) para combater esse estado de alerta, pois não pode ser mantido por demasiado tempo. É quando o pequeno, drogado pelo próprio organismo, adormece. Aprendeu a dormir? Não. Ele usou um mecanismo que não deveria ser forçado!
Por isso não os deixem chorar no berço!

Quanto menor é a criança, maior é o estado de choque a que se submete.
Uma exposição prolongada à adrenalina e outros hormônios do stress pode trazer muitas sequelas negativas, como uma desregulamentação duradoura da bioquímica cerebral, com consequências como depressão, distúrbios do apego, desamparo aprendido, ansiedade… pense com o coração, pergunte se você quer mesmo fazer isto.

Se todo o teu corpo está te pedindo para imediatamente abraçar o teu filho? Porque não fazer o que a natureza te programou para fazer?”

Texto de Márcia Tosin (Psicologia da Ansiedade – Colombo PR) psicóloga que trabalha diariamente com ansiedade infantil. Já realizou mais de 2000 atendimentos de crianças (0 a 12 anos) com quadros ansiosos graves e gravíssimos e acredita que os cuidados com o sono nos primeiros anos de vida poderiam ter contribuído MUITO para a diminuição e severidade desses quadros.

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