Puerpério, Textos Gravidicas

Preciso falar sobre a culpa…

O post de ontem falou um pouco sobre um perrengue que estou passando na vida materna.
Bellinha chegou nos terrible twos e estacionou numa fase que considero realmente preocupante.

Embora todos a minha volta insistam em dizer que sou uma boa mãe, meu coração permanece apertado, com uma sensação de falhas infinitas no quesito “maternidade”.

Preciso reforçar que a Bellinha foi planejada.
Não aquele planejamento que colocamos em planilhas, mas daqueles que entram nos sonhos do tipo: bem que poderia acontecer logo né?!

Ficar grávida era um sonho. Ser mãe era um sonho.
A verdade é que, foi realmente tudo um sonho.
Eu lia e relia blogs, textos, livros e dicas “maravilhosas” sobre como seria ser mãe, e tinha em minha mente que estava sendo perfeita, até… Minha filha nascer.

Me lembro de estar algumas horas já no quarto com meu marido e com a Isabelle, quando minha mãe chegou e disse: Como foi trocar a primeira fralda da sua filha?
Meu olhos se arregalaram e eu pensei: MEU DEUS, EU ESQUECI DE TROCAR A FRALDA DA CRIANÇA.
Pronto, foi o suficiente para que todas as minhas teorias caíssem por água abaixo.
Como assim eu não troquei a fralda dela? Já fazia mais de 3h que estávamos ali… O cocô já estava seco… Onde é que eu estava com a cabeça?
(Tenho certeza que meu marido se sentiu da mesma forma rsrsrs)

E assim, depois de algumas horas sendo uma mãe com um bebê recém nascido no colo, me dei conta que tudo fica mais fácil aos olhos de quem vê, mas muito mais difícil nas mãos de quem o faz.
“A filha da minha amiga é uma fofinha… Foi me visitar cheirosinha, toda fofa. Vai ser lindo assim, ser mãe”. Eu pensei…
Mas eu não imaginava que a intensidade da troca seria tão grande: Para cada pessoa que a pegasse no colo e sentisse aquele perfume de bebê, eu teria um banho a menos na minha conta. Que para cada kg que ela ganhava mês a mês nas visitas ao pediatra, eu teria abdicado de alguns almoços quentinhos… Que para cada sorriso que ela desse para a vovó e o vovô, teria por trás uma noite mal dormida, ou até mais.

Hoje, tenho a sensação que as coisas permanecem assim.
Que infelizmente, atrás de cada beleza, existe uma renúncia.

Chamem do que quiser, intitulem como “recompensa”, ou como uma simples troca.
Mas tendo já passado 2 anos e 2 meses de muito ter doado, me pergunto quando meu coração se sentirá em paz e com menos cobranças.
Sinto que, quando nasce um filho,nasce também um sentimento de impotência enorme, e eu queria muito que esse sentimento já tivesse ido embora.crying-baby

Eu sempre bato na tecla que tudo passa, que devemos aproveitar e etc., masserá que um dia essa sensação de que “mesmo fazendo o impossível ainda estou em falta com meu papel de mãe”, vai passar junto?

No começo era:
Será que eu leite está sendo suficiente?
Será que estou agasalhando bem?
Se estou fazendo tudo certo, por que ela ainda chora?

E hoje ainda deito na cama com a cabeça pesada e cheia de questionamentos:
Será que ela sabe mesmo que eu a amo?
Por que ela não entende quando nego alguma coisa?
Como posso fazer para educá-la sem precisar ser rude?
Por que ela não comeu toda a comida?
O QUE É QUE ESTOU FAZENDO DE ERRADO?

Eu não sei a resposta para estas perguntas, e estou vivendo uma agonia diária pensando horas a fio sobre “como me tornar uma mãe melhor”…
Mas mesmo sentindo a cabeça latejar de tanto tentar entender por que a vida materna não é toda fofinha como os textos me falaram, eu vou seguir confiante de que cedo ou tarde, vou acertar tão em cheio, que poderei dormir sem qualquer tipo de culpa.
Agora… Se isso vai acontecer amanhã, ou daqui uns 25 anos, eu não sei.

Enquanto isso, eu só queria que vocês soubessem que aqui mora uma mãe, aprendiz e que tem um coração cheio de dúvidas, mas também de muito amor.

E a vida segue naquele misto de sentimentos que só a gente sabe:
Quando eles dormem, sentimos um vazio na casa por conta do silêncio, e quando acordam, desejamos que o mundo pare de rodar um pouquinho porque tá tudo fora de órbita.

Quando erramos, só desejamos que o tempo passe logo pra conseguirmos esquecer. E quando nos damos conta da preciosidade que carregamos no colo, nosso único desejo é que o tempo demore muuuito para passar.

Essa ideia que a febre é culpa do sorvete que eu dei… Que o choro é culpa do modo que falei NÃO… E o que fato dela não querer dormir no horário porque dei um docinho uns minutos antes, pelo jeito é bem mais comum do que eu imaginava.

Mas aquele sorriso no rosto quando me vê chegando do trabalho, deve ser por culpa da falta que eu fiz o dia todo, não é?

Pois é…
Do choro aos sorrisos intermináveis, é disso que a maternidade real é feita.

E aí você se pergunta junto comigo: O que eu tô fazendo de errado?
Tudo e nada.
Isso depende do dia.

Beijo

assinatura stephanie gravidicas

3 thoughts on “Preciso falar sobre a culpa…

  1. Adorei e me identifiquei. A minha culpa diária tem sido por ter que sair para trabalhar todo dia e deixá-la chorando. Será que o que eu ganho no trabalho realmente faz diferença para ela? Todos dizem que o que importa é a minha companhia, mas não quero que ela passe por momentos em que quer uma boneca e não pode ter porque a mãe não tem dinheiro. Meu triste dilema. rsrs

  2. Estamos na mesma situação.
    Será que aquelas pessoas que me disseram aquela (maldita) frase: "ela precisa da sua presença, e não de presentes", estava realmente certa?
    Difícil de conviver com essa dúvida e com essa incerteza.
    A verdade é que nunca nos sentiremos "boas o suficiente", e o que nos resta, é tentar de todas as maneiras, suprir qualquer tipo de "erro" que supostamente cometemos sendo mães! 🙁

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