Querida mãe que está no último dia de licença maternidade

Eu sei que as últimas noites têm sido difíceis de relaxar. Sei também que você levantou, sem o bebê ter chorado, apenas para poder admirá-lo um pouco mais.
Os últimos meses passaram rápido, não é?
Você esperou dias intermináveis para viver a alegria de ter seu filho nos braços, e como num piscar de olhos, as 24h coladinha com ele se tornarão um sonho distante.

Eu sei que a ideia de trabalhar fora não soaria tão obscura se não viesse acompanhada de uma carga horária longa ficando longe do bebê.
O problema é exatamente esse: como cortar o cordão umbilical invisível que ficou em vocês durante esse período em casa?
A verdade é que, da sua parte, ele nunca deixará de existir.

As mães sempre estarão ligadas ao ser que geraram e isso dói.
Dói porque a ideia de termos um filho é justamente o oposto disso: Geramos e educamos para o mundo. Embora nosso coração fique sempre atrelado a ele.

O fim da licença maternidade é apenas o primeiro momento em que você sentirá um turbilhão de sentimentos: Numa hora estará chorando no banheiro da empresa no meio da tarde, e de repente, estará feliz enquanto consegue tomar um café com aquela colega que tem um papo legal (mesmo que o assunto seja nada mais, nada menos que: filhos).

Esse vulcão sentimental nunca irá passar.
Você só aprende a lidar melhor com cada sensação: chorar é preciso, mas aproveitar algo diferente no dia-a-dia é essencial.

Se você precisa, assim como eu, ser uma mãe que trabalha fora, deverá acostumar-se com a ideia de que as funções de MÃE e PROFISSIONAL andarão separadas por um fio tênue: sua paciência.
Afinal, não ha nada tão desesperador como ter que ir trabalhar enquanto o filho implora por sua presença, ou precisar faltar no trabalho porque o filho ficou doente.

Saber driblar essas situações é o motivo pelo qual você será chamada de FORTE por uns, e de LOUCA por outros.
Mas isso pouco importa. Valioso mesmo, é que você saiba qual é sua prioridade naquele momento e que ao deitar na cama no fim do dia, seu sentimento seja apenas o de “dever cumprido”.

Saiba que você pensará em desistir uma vez ou outra. Imaginará um milhão de motivos pelo qual você não precise passar por aquilo, e por mais incrível que pareça, o que te faz estar ali e o que te faz querer correr dali é a mesma opção: seu próprio filho.
Afinal, trabalhamos em busca de um futuro melhor. Para não precisar negar um desejo clamado pelo filho.
E isso pode soar insignificante agora. Mas é um projeto de longo prazo. Então, tenha paciência.

No decorrer das semanas sua adaptação com a antiga/nova rotina será de cair o queixo.
Nós, mães, sempre ganhamos um braço novo a cada nova função. E não é diferente com o trabalho.

Seu filho se acostumará antes que você. O sofrimento é persistente nas mães, pois a culpa vive com elas.
A culpa por não vê-lo crescer em tempo integral (você chegará em casa e ele terá crescido, de verdade).
Culpa por não poder dar colo enquanto ele chora, por qualquer que seja o motivo.
E pasme, você encontrará culpa até mesmo pela paz que sente enquanto almoça sozinha em um restaurante próximo ao seu trabalho.
Mas, apesar de tanto sentir, você não será culpada. Por nada.

Qualquer que seja seu fator motivador para o trabalho, lembre-se que acima de qualquer coisa, você é mulher.

Ser uma boa mãe e profissional não dependem de ninguém mais além de você.
Por isso, seja forte.
Aproveite os minutos que sobram para abraçar e beijar muito.

Se estiver cansada demais para correr pela casa, uma historinha contada deitados na cama também tem valor.
Os afazeres domésticos que podem ser deixados para depois, devem ficar para depois SIM.

Você verá que apesar de difícil, não é impossível.
E que mais uma vez, você é muito mais forte do que imagina.

Esse é só o (re)começo.
Mantenha a calma e siga em frente.

Seus passos serão o guia para aquele pequeno ser que você tanto ama…



3 Replies to “Querida mãe que está no último dia de licença maternidade

  1. “Seu filho se acostumará antes que você. O sofrimento é persistente nas mães”
    Quando meu filho se acostumar a ficar longe no período do trabalho, eu vou ficar muito sentida, CERTEZA! Hahahaha
    Minha mãe sempre trabalhou e todas as vezes que ela saía pro trabalho a minha irmã mais nova se agarrava na grade da janela e ficava gritando pra ela.
    Lendo agora o teu texto, realmente deve ser muito difícil ouvir a criança chamar e não poder voltar 🙁

  2. Aiiiiii hoje é meu último dia!!! Tô chorando lendo isso!!! É um conforto!!! Tomara que passe rápido! Está sendo muito difícil para mim!!!

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