Textos Gravidicas

Relato do meu pós-parto – E o que aconteceu mais de 3 anos depois

A nostalgia me pegou. E nos últimos dias tenho visto muitas fotos antigas… Das bonitas, às nem tão bonitas (que a gente guarda só pra relembrar o momento, mas que jamais mostraria para alguém).

Eis que me deparei com as imagens que uma amiga fez no dia seguinte ao nascimento da Bellinha… Eram fotos que sempre guardei a 7 chaves porque sentia vergonha de mim. Minha filha havia acabado de nascer e eu só conseguia sentir vergonha da carcaça que ficou. Afinal, por quase 9 meses fui sua casa, e esqueci do que restaria depois.

3 anos, 7 meses e 2 dias depois, eu senti a necessidade de mostrar para o mundo mais um pouco da minha maternidade real.
Não, eu não vou falar sobre sentimentos com relação ao bebê (isso eu já falei AQUI).

Eu preciso falar sobre mim. Sobre meu corpo, meu cabelo, minhas roupas. Sobre mim, pós parto.

E preciso falar porque sei que pra muita gente foi ou será igual:

O filho nasce e nos esquecemos de nós mesmas por um período.

Quantas vezes olhei no relógio e já eram mais de 5 da tarde e eu não tinha almoçado ainda. Ou quantas vezes lembrei que não tinha tomado banho e já eram 2h da manhã…

Quem já passou por isso sabe: Deixamos de ser prioridade. E por mais que a gente tente se convencer que está tudo bem, não está.

O puerpério já é intenso o suficiente justamente porque quase esquecemos a vida como era antes do filho. E então, quase enlouquecemos porque uma parte de nós não aceita que aquela antiga mulher morra. Ficamos num misto de felicidade pelo novo, com um pavor do que está acontecendo e do que está por vir.

Os sapatos perdem o salto. As roupas perdem o encaixe perfeito. O cabelo perde a leveza e ganha elásticos ou prendedores diários…

Para completar o caos, as revistam mostram famosas com barrigas trincadas e bebês recém nascidos no colo. Fotos de mães sorrindo enquanto amamentam. Fotos de cabelos loiros já retocados em pessoas recém paridas…

Nos sentimos ainda mais deslocadas, estranhas…
Quantas vezes chorei no banho enquanto gritava por dentro “o que tem de errado comigo”?

Bom.. Hoje, anos depois eu entendi:

Não havia nada de errado comigo.

Aquilo sim era real, e necessário.
Não dizem que a fênix renasce das cinzas? Por isso eu acredito que precisei me desfazer um pouco. E isso, incluía também o fato de que mesmo voltando, talvez não fosse mais a mesma.
E vou te dizer… Graças a Deus, não sou.

A maternidade mudou meus sentimentos, mas também mudou o meu físico de forma brusca (e boa): Redescobri a cor natural do meu cabelo, e amei. Precisei diminuir as etapas na hora de me maquiar, e me achei ainda mais linda destacando apenas alguns pontos. Desci do salto, e bolei combinações lindas e chiques com simples sapatilhas.

Encontrei conforto no que me tornei depois de mãe. Não foi de uma hora para a outra. Eu precisei chorar. Tive que me esconder um pouco.
E para tudo isso acontecer sem ainda mais demora, eu aceitei por um período o amor da milha filha como recompensa. Mas depois reencontrei meu amor próprio bem em frente ao espelho. Quando ao invés de me julgar, tentei achar novas formas de me enxergar bem (e ainda mais bonita do que antes).

Sei que o sonho de todas as mães é parir linda para as fotos, receber as visitas com um batom e um rímel passados, sair de casa com aquele jeans de um ano atrás. Eu sei porque era meu sonho também.
Mas muito do que planejei e esperei, não aconteceu. E mesmo assim posso dizer que eu não tive tudo o que queria, mas vivi tudo o que precisava viver para experimentar essa evolução sentimental, e física também.

Por isso aqui vai um conselho: Não se apegue somente ao que não saiu como planejado. Não foque somente na mudança como algo ruim. Reinvente-se. Os filhos nos modificam mesmo, mas basta encontrarmos equilíbrio para perceber que essa mudança vem para melhor. Mude a cor do cabelo se precisar, faça o corte que sempre sonhou, use aquele vestido que está guardado ha dias.
Porque o sentimento que repassamos para os nossos filhos é a fonte de energia, mas o que somos por fora também serve de INSPIRAÇÃO.

“Aceite o que você não pode mudar. Mude o que você não pode aceitar”.

Um beijo,

 

8 thoughts on “Relato do meu pós-parto – E o que aconteceu mais de 3 anos depois

  1. “Porque o sentimento que repassamos para os nossos filhos é a fonte de energia, mas o que somos por fora também serve de INSPIRAÇÃO.”

    Perfeito Ste, amei demais esse post, com certeza vou levar como aprendizado pra quando acontecer comigo <3

  2. Maravilhoso esse texto Ste! Acho que tudo na vida deve ser assim, questão de se adaptar e conseguir enxergar a parte boa de cada fase, porque são muitas!
    Já disse várias vezes que me inspiro muito contigo, e vou vir ler tudo isso quando chegar minha vez de ter bebês!

  3. Engraçado como ouço as pessoas falarem: Fulana é mãe de ciclano.

    Porque a Fulana não pode ser só a Fulana né?
    Posso estar errada mas, o filho não pode mudar as mães pra pior 🙁

  4. muito bom compartilhar isso, Ste!
    Mostrar como todos somos normais e podemos passar por isso.
    Tudo be estar descabelada e com a mesma barriga de quando o bebe ainda estava lá… a coisa mais linda e que importa é o filho que acabou de nascer desse corpo lindo que pode proporcionar isso a ele 🙂

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