Sobre plenitude, amor próprio e autorrealização depois dos filhos

Você já ouviu falar sobre a plenitude pós maternidade?

Aquela coisa que a gente vê em capas de revistas… Mães recém paridas muito bem produzidas, sorridentes, maquiadas e bem vestidas.
Aquela imagem quase surreal de satisfação total no momento. A soma do brilho da cria, com uma mãe reluzente e cheia de vida?

Então, eu não tive isso. E sei que a maioria das mulheres não têm isso assim tão cedo também.

Por muito tempo me senti culpada, relaxada, e é como se cada foto perfeita que circula na internet esfregasse na minha cara que não tive (e não fui) nada daquilo.
Cabelos sempre soltos e lindamente escovados. Maquiagens bem feitinhas. Camisolas longas e dignas de vitrine de lojas caras…
Ah… E uma barrigona sem estria nenhuma, ou é claro: um bebê pitiquinho já no colo.

Grávida ou recém parida, minha realidade não foi nem de perto de como vejo hoje na internet.

Eu só me lembro de usar a mesma legging quase todos os dias durante a gravidez…
Lembro que cheguei no hospital e tinha esquecido até de levar as lentes de contato (quem dirá a bolsinha de maquiagem).
Não tenho fotos fofas do dia (e nem dos outros dias) e implorei para não me levantarem da cama para ir tomar banho (sim, pós cesárea não é lindo pra todas).

Há quem diga que não aproveitei o brilho da maternidade…

Mas hoje, 3 anos, 8 meses e 23 dias depois do nascimento da Bellinha, eu posso dizer que finalmente cheguei na minha melhor fase.

Ainda não uso maquiagem todos os dias, mas o meu momento chegou.

Agora eu entendo o que é importante de fato, e o que não vale a pena.
Hoje eu vejo fotos de recém mães lindas na minha timeline e admiro aquela que caprichou no rímel a prova d’água no dia do parto. Mas entendo (e sou) aquela que deixou esse momento acontecer sem muitas neuras.

Foto: Adrieli Cancelier

Hoje eu tenho plena convicção que essa vontade de se cuidar uma hora vem pra todas.
Pode não ser durante a gravidez. Pode não acontecer no puerpério. E pode demorar sim, vários meses e até alguns anos.
Mas uma hora a calmaria chega. A gente se sente mais à vontade com o que nos restou (sim, os filhos nos acrescentam, mas tiram muito do nosso “antigo eu”)…
Aceita melhor o cabimento das roupas. Descobre a beleza com um pouco menos de maquiagem… Volta a dormir sem desconfortos e se (re)encontra.

Num domingo qualquer, se pega olhando para a cria já não tão bebê, e entende que toda a turbulência já passou.
Sofre menos com as situações tensas, e sabe driblar os problemas com muito mais maturidade.

Embora eu tenha diminuído a quantidade de selfies, esse é o meu momento de amor próprio. De curtir um vinho no final do dia. De optar deixar a louça pra amanhã.

Eu ainda não tenho uma camisola de seda com detalhes em renda. Mas encontrei conforto e paz no meu pijama 100% algodão.

E sei que você, seja gestante, mãe de um bebê, ou já mãe de uma criança maior, também vai encontrar isso hora ou outra.
E vai entender que o bonito que a gente admira nas fotos das famosas, é bonito na gente também.
Não necessariamente de forma igual, mas com certeza da forma que a gente precisa (e aprende a apreciar com o tempo)

Então: Passe o rímel se quiser passar. Solte o cabelo se quiser soltar. Sinta-se completa e admire a soma do seu ser.

Que as fotos reflitam sua realidade. Mas que no fim das contas o seu dia seja tão bom, que nem sobre tempo para mexer no celular!

Um beijo,

7 Replies to “Sobre plenitude, amor próprio e autorrealização depois dos filhos

  1. Que coisa mais linda esse texto, como todos que você escreve! sempre me emociono demais com suas palavras porque você é tão transparente! Que bom ter conhecido seu blog, acho que tá brotando aqui uma vontadinha de engravidar!

  2. Sensacional!!!
    É exatamente isso, cada um tem seu momento e isso tem que ser respeitado e levado pela própria pessoa como algo natural. Se aceitar em primeiro lugar para consequentemente deixar as coisas fluirem naturalmente!!! 🙂
    Tudo tem seu tempo sempre!!!

  3. Que texto lindo, como sempre. Achei lindo você contar como as coisas fora pra você que acredito ser a realidade de muitas mães por ai também. Te admiro muitooo amiga, você é linda!

  4. Muito importante alertar sobre isso… somos seres humanos e passaremos por isso! Já não passamos na adolescencia antes de sermos mães? Então, normal! hahaha
    Adorei seu posicionamento, Ste! Obrigada !<3

  5. Nossa Ste, eu fiquei bem pensativa sobre essa questão de se arrumar pro nascimento, e não sei se eu serei uma pessoa que se importará com isso. Acho tão bonito as mães maquiadas como as mães sem produção nenhuma, porque acredito que o mais importante desse momento é ali, entre os pais. O registro é muito legal, mas independente de qualquer coisa, o que vale é o brilho nos olhos né?
    Amei que tua fase chegou, mas espero que não seja só uma fase. Que você se ame sempre. Toda montada ou descabelada. Ser mulher, mãe, blogueira e ainda trabalhar fora não é coisa fácil. Só pelo fato de sermos mulheres já temos carta branca pra ir trabalhar sem maquiagem ou passar um fds todo de pijama 100% algodão, meião e chinelo de dedo <3 hahahahaha

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