Maternidade, Textos Gravidicas

A verdadeira carga materna: Porquê as mães estão cada dia mais esgotadas

Não basta a brusca alteração hormonal, a privação de sono e todas as dores físicas que ter um filho nos traz…

Mãe carrega em si uma carga que o resto do mundo desconhece… O peso de simplesmente ser MÃE.

Não estou escrevendo este post com o intuito de criar uma disputa sobre quem faz mais dentro (e fora) de casa. Eu não vou falar sobre quem lava as roupas, faz a comida e passa pano no chão.

Também não quero entrar nos detalhes de quem “ajuda” quem, ou se a rotina básica dos filhos é igualmente dividida.

Eu quero falar sobre o que se passa na cabeça das mães. Aquilo que só outra mulher com a responsabilidade de criar um ser humano, entende. Coisas que talvez a maioria nem perceba, mas que causa em nossa mente um turbilhão de sentimentos, medos e culpas.

Por que nos sentimos tão esgotadas? Porque às vezes nem mesmo 8h seguidas de sono é capaz de nos revigorar?

É simples: estamos em estado de alerta 24 horas por dia, 7 dias por semana… O tempo todo! Sem pausa nem para sonhar direito (tenho certeza que você acaba sonhando com sua rotina materna com frequência).

Ser mãe é não encontrar uma forma de silenciar os pensamentos e aquietar a ansiedade com todos os detalhes. A gente tem a impressão que precisa controlar o mundo, e tenta isso com todas as forças.

Parei para analisar todo o peso das pequenas informações que carregamos, e foi inevitável não pensar: “E se um dia eu vier a faltar, meu marido dará conta?”

E nessa brincadeira acabei fazendo uma lista com 20 perguntas do meu dia a dia de mãe, que ele não faz ideia de como funcionam, onde estão e como proceder em caso de necessidade extrema…
Podem parecer perguntas bobas e simples, mas são estes pontinhos da rotina que transbordam nosso cérebro e aceleram nosso coração:
(Ps: notem que cada pergunta abre um leque imenso de novas perguntas…)

  1. Quais os nomes dos principais contatos da escolinha da Isabelle? (Professoras, Diretora, Auxiliares)
  2. Que dia da semana ela tem balé, e o que preciso colocar na mala para a aula?
  3. Em caso de febre, qual remédio e qual a quantidade deve ser dado?
  4. Como está o estoque de roupas para o verão? E de sapatos? O chinelo ainda serve?
  5. Já está na hora de cortar as unhas dela de novo… Como evitar que encrave?
  6. Qual escova de cabelo não machuca na hora de pentear?
  7. Qual pasta de dente não causa ânsia de vômito?
  8. Quando tem festinha na escola? E o que comprar de presente para os amiguinhos?
  9. Quais hospitais pediátricos nosso plano de saúde atende?
  10. Qual o telefone do pediatra?
  11. Se fizer xixi na cama de madrugada, onde está o outro pijama, e o que fazer com o colchão? (não vale a opção jogar fora e comprar outro)
  12. Qual a previsão do tempo para amanhã? Que roupa devo colocar na bolsa da escola?
  13. Quando será a festa de encerramento? Que horas? Onde? (E claro: que roupa a criança deverá vestir?)
  14. O Natal está chegando… O que a criança quer de presente? Como fazer com que ela não foque somente na parte material?
  15. Vamos viajar: O que levar na bolsa? Quais remédios não podem faltar na farmacinha?
  16. Estamos com todos os itens de praia em dia? Guarda-sol? Baldinhos de areia?
  17. E se a criança passar mal no carro? Tem roupa extra já separada? Como acalmá-la? Com o que medicar?
  18. A noite: Será que a criança se descobriu? Será que o travesseiro está do jeito que ela gosta?
  19. Se ela acordar de madrugada chorando: o que fazer para acalmá-la?
  20. Ela é uma criança feliz? O que a deixa contente? Como não ser permissiva na medida certa?

Eu sei que existem outros tantos pensamentos que invadem nossa cabeça ao longo do dia.

Não é a toa que passamos as 24h com a sensação de falha, ou de esquecimento. A verdade é que, lembramos de tantas coisas, que esquecemos apenas o principal: somos humanas.

Estar em alerta cansa. E é uma exaustão que massagem nenhuma consegue aliviar. Precisamos mesmo, é de alguém com quem possamos contar. Seja para dividir todas as tarefas, ou até mesmo para simplesmente nos ouvir falar, e falar… Mas infelizmente estamos rodeadas de dedos apontados e olhares mal encarados, prontos para nos julgar.

Precisamos buscar a melhor forma para manter a sanidade em dia. Não que isso vá nos fazer pensar menos, mas que a gente possa compartilhar mais.

Mãe também precisa de colo… Pra deitar a cabeça turbulenta, e tentar encontrar um pouquinho de paz.

Um beijo,

 

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