Saúde e Alimentação

Introdução alimentar – Dicas e relatos de uma mãe de segunda viagem

A introdução alimentar é aquela virada de rotina que nem sempre (ou quase nunca) estamos preparadas para viver.

Mas sabendo da importância em preparar uma boa base, todo esforço e paciência são essenciais nesse momento.

É preciso diversificar, ampliar o cardápio, diminuir os vícios e ser consistente.

Não é fácil. Ter um bebê em casa muitas vezes nos mostra o quanto estamos nos alimentando mal, e mudar tende a ser trabalhoso.

Aqui em casa não foi diferente. Bastou a Luísa iniciar essa nova fase, que nos demos conta do quanto estávamos falhando com relação à comida que colocávamos na mesa.

A desculpa? Falta de tempo! Trabalhar fora consome muitas horas do nosso dia, e buscamos sempre pela praticidade de algo pronto.

Mas aí que entrou o questionamento: O saudável, também não poderia ser prático?

E ao fazer essa pergunta em voz alta, recebi várias dicas ótimas sobre essa nova fase da vida da Luísa, e consequentemente da nossa.

Antes de contar pra vocês sobre como tem dado certo por aqui, vamos às informações-base sobre o assunto:

  • A OMS (Organização Mundial da Saúde) indica o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Mas cabe ao pediatra que acompanha a criança, entender os sinais e indicar o momento adequado. Podendo ser antes, ou após os 6 meses. A decisão depende de diversos fatores que cabe somente ao profissional de saúde avaliar. (E mesmo assim, vale colocar à prova do seu coração de mãe!)
  • Existem diversos métodos para oferecer a comida aos bebês:  Tradicional, BLW, participativo… Qual deles você escolherá, é indiferente. Desde que seja a forma que você sente mais segurança e encontra mais praticidade.
    O que é contraindicado nesse caso, é tornar o alimento sólido em líquido. Ou seja: bater o alimento no liquidificador. Amassar com o garfo já está de bom tamanho. Isso porque, as texturas diferentes incentivam o bebê a aprender a mastigar. Prepare os alimentos de forma coerente com as habilidades, e assim, mês a mês, seu bebê estará melhor na arte da mastigação.
  • Seu bebê pode apresentar o reflexo de GAG, e isso não significa que esteja odiando a comida.
    O reflexo de GAG é um reflexo fisiológico que serve para proteger seu bebê dos engasgos. Como ele estava acostumado com apenas uma textura/sabor/forma de se alimentar,  seu cérebro dispara o reflexo de GAG, que faz o alimento voltar da garganta para a boca. Parece ânsia de vômito, mas é apenas uma questão de tempo para ele pegar o jeito, e deixar de ativar essa função.
  • Dizem que não existe a possibilidade de alguém não gostar de um alimento antes de prová-lo 10 vezes. Por isso, tenha paciência e seja persistente. Lembre que é tudo muito novo, e com o paladar em formação, de início tudo pode parecer estranho.
  • Sal, açúcar e mel são proibidos no primeiro ano de vida (no caso do açúcar, até os 2 anos). E não, ele não vai detestar os alimentos por causa disso. Até porque, ele nem sabe o que são os alimentos preparados com estes 3 itens, então não tem como sentir falta. Quanto mais natural, melhor.
    A comida bem temperada fica saborosa. O sal serve apenas para deixá-la salgada, e nunca terá o poder que as ervas naturais têm.
  • Peça ao pediatra para lhe indicar os demais alimentos proibidos. Por aqui, não tivemos nenhum outro.
  • Sucos são contraindicados antes do primeiro ano. Ofereça água, no lugar. Lembre que o consumo do suco implica numa quantidade elevada de frutose e calorias, além de desperdiçar a chance da criança aproveitar todos os nutrientes e fibras que somente a fruta in natura contém. Pense que para um lanchinho da tarde, meia laranja seria suficiente para satisfazer o seu bebê. Enquanto para se fazer aproximadamente 120ml de suco, você utilizaria de 1 a 2 laranjas inteiras.  Ou seja: mais calorias e mais frutose, menos saciedade, menos vitaminas e menos fibras. Não vale a pena né?!
  • A introdução alimentar, como o nome já diz, é a apresentação dos alimentos ao bebê. Não espere que ele coma uma pratada cheia logo de cara, e não se frustre quando as caras feias aparecerem. É uma fase de descobertas, e a única forma de avaliar se está indo bem, não é pela quantidade que ele engole, mas pela qualidade dos alimentos que você oferece.

Então vamos à nossa experiência:

Luísa iniciou nas frutas com 5 meses e 15 dias. Não optamos por misturas, apenas uma fruta. A aceitação foi ótima e tivemos pouquíssimas cara.

Para a comida salgada, aprendi muito com o livro COMIDA DE BEBÊ, da Rita Lobo. Encontrei dicas de preparo e informações nutricionais super valiosas. Mas me encantei, principalmente, pela forma em que a autora mostra como o bebê pode comer a mesma comida que todos comem na casa, alterando apenas o tempero e textura para atender às suas necessidades.
Como o próprio livro sugere, a introdução alimentar vem para fazer uma revolução na alimentação da família inteira. E poder oferecer o mesmo prato ao bebê, nos força a optar sempre pelo cardápio mais saudável.

E como cada lar tem sua história, e embora eu ame cozinhar tudo fresquinho, a rotina aqui não nos permite. Passo mais de 12h fora de casa durante a semana, então preciso preparar a comida da Luísa aos domingos, para congelar e ir oferecendo uma a uma.

Procuro sempre me atentar aos grupos de alimentos:

  1. Energéticos (Carboidratos)
    São a base da pirâmide alimentar e proporcionam energia
  2. Construtores (Proteínas)
    Ajudam em toda a construção celular do organismo
  3. Reguladores (Frutas, Verduras e Legumes)
    Responsáveis pela regulação do organismo

E então, tento preparar tudo no método 1+1+3 (1 energético + 1 construtor + 3 reguladores).

Utilizo dois métodos de congelamento:

  1. Em forminhas de silicone
    Separo o alimento já esmagadinho e coloco nas forminhas. Assim, apenas seleciono o que vai na refeição do dia, descongelo e misturo tudo.
  2. Em potinhos
    Uso potinhos de armazenar leite (já que o leite eu só armazeno em saquinhos pré-esterilizados), pois consigo medir a quantidade. Nesse caso, já guardo a papinha inteira pronta e amassada. Assim é só esquentar e servir.

Faço combinações que, servidas de outra forma (sem amassar), encaixam perfeitamente na refeição do resto da família (seguindo exatamente a linha que o livro ensina).

Capricho no tempero, e tenho em casa várias opções em pó e desidratadas (salsinha, cebolinha, cebola, alho, alecrim, açafrão, páprica e por aí vai), que são super práticas de se manusear!

É cansativo, mas a melhor parte é ver o quanto isso tem refletido na alimentação da Bellinha. Que apesar de gostar de vários alimentos “incomuns” pra idade dela, tem se apresentado ainda mais disposta a comer bem e de forma saudável.

Definitivamente os filhos nos transformam… Ainda bem que é pra melhor neh?

* Lembrando que este post foi escrito com base na minha experiência e indicação da nossa pediatra. Siga sempre as instruções do profissional de saúde que atende seu bebê.

Um beijo,

 

 

 

2 thoughts on “Introdução alimentar – Dicas e relatos de uma mãe de segunda viagem

  1. E essa forma parece de gelo,vc coloca a papinha ali? Me desculpem não entendi direito ☹️ e se for oq eu perguntei coloca no congelador e pronto?

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