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Preciso confessar: Não foi à primeira vista

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A Bellinha nasceu numa cesária de emergência. Com 37+3 semanas, veio ao mundo às 23:45h do dia 1º de agosto de 2013!

Na época, eu tinha tudo planejado. Imaginei cada detalhe para o grande dia, e me vi perdida em meio ao caos quando recebi a notícia que ela viria numa noite em que eu não estava preparada psicológicamente (ok, acho que a gente nunca está. Mas eu realmente não esperava que fosse naquele dia).

Durante a gravidez eu li muito. RELI artigos, procurei relatos, ouvi histórias e mais histórias, e o que aconteceu? NADA foi igual depois de ouvir aquele chorinho tão sonhado.
A minha vida mudou. Mas quem me vê falando tanto sobre esse amor materno nem imagina que eu passei por momentos em que cheguei a duvidar de tudo isso.

Preciso confessar: ainda grávida eu me perguntava se amaria tanto quanto escutava as pessoas falarem. Porque mesmo adorando a barriga enorme, parecia que eu ainda não tinha entendido tudo aquilo.

Sonhei tanto com o rostinho, se ia ser cabeluda, com quem iria se parecer (veio a cara da mãe #sqn), e etc, que a minha gestação aconteceu numa ligação direta da barriga com o cérebro. Foram tantos pensamentos, que acabei criando algumas expectativas que foram frustradas no final.

A chegada dela foi diferente… Desde a falta de maquiagem na cara, até o pós operatório.
O nascimento foi muito tenso devido às circunstâncias, então todo aquele sonho de “ouvir o choro, e chorar junto”, veio por água abaixo. Eu estava dopada e super preocupada se iria sobreviver. Fiquei olhando intensamente pro marcador de batimentos cardíacos e pressão arterial, e aí mal notei quando me mostraram que ela já estava ali.

Não bastasse a loucura do primeiro momento, descobri que tinha muito mais para aguentar ainda. Os dias no hospital são intensos. Por aqui foi um momento de REconhecimento total. Afinal, ela ficou 37 semanas dentro de mim, sentindo o que eu sentia, me ouvindo e tudo mais… Mas aqui fora, a banda toca de outra forma.

Foi aquela loucura: Enfermeiras entrando a todo momento. Visitas e mais visitas.Todo o desconforto que uma cesariana traz (é uma cirurgia, né?!). O nervosismo que são os primeiros momentos na amamentação (tem post dando dicas ótimas para amenizar isso AQUI). A pressão psicológica de fazer tudo perfeito e assim eu mal consegui curtir com calma aquela bebezinha minúscula de 44cm.

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A verdade veio a tona depois que cheguei em casa e finalmente tive meu primeiro momento sozinha com ela (o pai tinha ido registrá-la no cartório)…
Me lembro que sentei no sofá e estava tudo calmo… Ela estava mamando e não desgrudava o olhar de mim. O único som que conseguia ouvir eram de seus goles, e eu juro que o som do meu coração acelerado também parecia ecoar pela casa. Encostei meu nariz na cabecinha dela e senti aquele cheirinho ~viciante~ de bebê gostoso e naquele momento eu mal pude acreditar que ela era minha. Foi ali que me dei conta que aquele serzinho que grudou o pé na minha costela, que pulava na minha barriga e que eu sonhei durante meses, finalmente estava ali… Perfeita, cheia de saúde e indescritivelmente linda (muito mais do que ela parecia nos meus sonhos).

Chorei sem querer e com toda força do meu coração. Eu senti A conexão. MUITO maior do que a do cordão umbilical que nos uniu por tanto tempo. Algo tão forte que nada, nem ninguém no mundo seria capaz de separar.

5 dias depois de sua chegada ao mundo, eu chorei o choro do nascimento. Não porque minha filha finalmente estava em meus braços, mas porque naquele momento, eu renasci MÃE!

Já se passaram quase 3 anos e eu continuo tendo esses momentos de percepção, onde olho para ela e me apaixono por mais um detalhe.

Ps: Eu defino a minha vida de mãe nesse um textinho, que inclusive usei de legenda em uma foto dela que postei no facebook na noite que vivi essa experiência incrível de sentir meu coração saindo do meu peito e indo para o dela…

“Alguns dizem que é sorte. Outros, que é coisa do destino. Eu prefiro dizer que é luz. E calmaria. Porque, quando você chegou, foi isso que você trouxe de volta pra mim: PAZ. Uma paz que destino nenhum ou sorte nenhuma seria capaz de explicar, de entregar…”
(Plenitude)

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Incrível como um filho tem o poder de nos mostrar que o nosso coração é tão maior do que imaginamos, não é mesmo?

E vocês, me contem a verdade: a super conexão por aí, veio na hora, ou também levou algumas horas ou dias?

Um beijo

Assinatura Stephanie Gravidicas

9 thoughts on “Preciso confessar: Não foi à primeira vista

  1. Que texto mais lindo Steeeee, me apaixonei por esse sentimento quero um dia vivenciar isso e dai te conto como foi. Parabens pela bellinha e por ser uma mãezona. Beijoooo

  2. Que texto lindo. Confesso que senti toda a emoção do nascimento, mas o amooor, amor meeesmo veio com o tempo… E percebi essa conexão em um dia que estavamos só nós 2 brincando na cama e ele com as duas maozinhas pegando no meu rosto e cabelo. O melhor sentimento do mundo. Meu coração fora do corpo. Inexplicável, divino. Minha melhor parte. Espero poder retribuir esse coração preenchido que ele me deu. Mil beijos

  3. Que texto lindo! Me indentifiquei muito, meu filho também veio em um momento que eu não estava esperando e na verdade ele não podia nascer ainda( nasceu no dia que completou 34s), eu fiquei 3 dias internada tentando segurar mais um pouco, não tive meu tão sonhado book, meu tão sonhado chá de fraldas como a maioria das mães tem e na hora do parto quando fui surpreendida com os remédios que não fizeram efeito e não aliviaram minhas contrações indicando que já não dava mais pra segurar minha única preocupação era se ele iria precisar ou não ir pra UTI, se eu ia poder segurar ele em meus braços ou não que não tive o meu parto tão sublime como imaginei e desejei ( já estava a dias sem nem lavar o cabelo pq não podia tomar um banho demorado pra não dilatar mais) e com isso meu renascimento como mãe só veio dois dias depois quando me vi sozinha com ele pela primeira vez e ele mamou me olhando nos olhos tb pela primeira vez, ali eu vi que nada nem ninguém além dele teriam o meu amor mais…

  4. Nossa… me vi nesse texto. O nascimento “fora do programado”, o monitor cardíaco, o meu “não choro”. Perfeito. Me culpei algumas vezes de não sentir esse amor no primeiro segundo. Bom saber q outras mulheres passaram opor isso.

  5. Lindo demais.. chorei e me identifiquei.. (em partes).
    Minha também cesarea de emergência foi há exatamente uma semana, porém com 34+2, e a pequenha miudinha demais..
    Hoje comemoramos uma semana de muito sucesso na uti neonatal. Cuidados somente para ganhar peso, mas como nasceu muito pequena, a caminhada pode ser um pouquinho longa..
    Nosso “clique” também foi no primeiro colo, somente no dia seguinte, e veio com mais força quando me percebi em casa, sem ela..
    O mundo que antes não imaginava com ela (pq tbm duvidei sobre o amor de mãe), hoje não existe fora da neonatal.
    Ir para casa agora é só pra dormir, na ansiedade de acordar logo e voltar.
    Enfim.. textos maravilhosos sempre. Parabéns!
    Me inspiram, me fazem chorar, sorrir, e me dão força todos os dias! Muito obrigada… , )

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